05/11/2009

Sobre a memória da gênio

O Dr. Paulo Roberto Margutti em seu livro "Iniciação ao Silêncio" (1994) cita a obra de Otto Weininger "Sex and Character" (1906) para exemplificar um dos livros que Wittgenstein teve contato à época de elaboração do "Tractatus Logico-Philosophicus" (1922). Em "Sex and Character", Weininger mostra que o homem “está preso à temporalidade e não tem senso de valor, mas o gênio, além de ter uma lembrança universal, sua memória transcende o tempo, e somente aquilo que transcende o tempo é o que interessa ao indivíduo; aquilo que tem significado para ele, em suma, aquilo a que ele dá valor” (MARGUTTI, pág.63, 1994). Weininger ainda coloca que o filósofo também possui essa memória atemporal. Pois o filósofo lida com o universal e com o imutável. Bem, a nossa pergunta aqui seria: Como a mente poderia transcender o tempo pela lembrança, se a memória é sempre de algo que já passou? Transcederíamos para o passado? Com qual veículo isto é possível?

Bem, eu diria que nossas mentes pensam a uma certa velocidade e que no caso do gênio essa “velocidade” é mais alta do que normal.

Assim, todo nós podemos transcender o tempo com a nossa lembrança. Podemos lembra de algo que aconteceu num passado muito remoto e lembrar detalhes da experiência.Vi meu bisavô narrar histórias de 90 anos atrás como se fosse ontem, ou acontecendo hoje. Como isto é possível? O gênio não só lembra de várias coisas com seus detalhes vivos como consegue concatenar bem com outras coisas pois elas tambem estão latentes em sua mente. É um espécie de simbiose do pensamento. Por isto Weiniger colocou que a mente do gênio é atemporal. Mas eu diria, atempora nãol, mas sim temporal, em seu sentido pleno da experiência intuitiva do tempo.

11/03/2009

Entender = Concordar ???

Será que entender é o mesmo que concordar?
É possivel uma pessoa discordar sem entender?
E uma pessoa concordar sem entender, também seria possível?
Em filosofia, é preciso entender o autor antes de criticá-lo, o que às vezes não acontece num curso de filosofia. Muitos começam a discordar antes mesmo de entender completamente o que o autor está dizendo em sua obra.

Mas o que é mesmo essa coisa de entender?
E o que isso tem haver com concordar?
É preciso haver uma espécie de entrega de si ao ler um texto de um autor, compreender a sua singularidade, para então depois colocar a sua.
Bem, certa vez um aluno perguntou ao seu professor se ele conseguiria entender os motivos pelo qual está para suicidar. E se o professor o entender ele teria que concordar com o aluno que o melhor a se fazer era o suicídio, legitimando assim o ato.
Ora, o professor era contra a idéia de suicídio, mas ele conseguiu entender bem os motivos do aluno. Mesmo assim não poderia dar o aval para uma idéia dessa.
Eu vejo que para casos como este é preciso pensar bem antes de responder.
O fato é o que o aluno está demonstrando ao professor é que A+B (como um dado contexto vivído pelo aluno) é igual a AB.
E AB é igual a C, e C neste caso é o suicídio em si.
Se ele viveu o A, e em seguida o B, logo C era o resultado e assim o professor legitimaria um futuro acidente. Correto, A+B = AB, que por sua vez AB é igual a C. E que porém C não é a única "saída". AB é igual C, mas existe uma escolha entre AB ou C onde somente o sujeito pode fazer esta escolha. O que é melhor, AB ou C? Para respoder, faremos outra pergunta: O que é bom? O que mal? Pensamos diferente uns dos outros. E não sabemos se o que é bom para um também o é para outro. A escolha é subjetiva.
O indivíduo pode ser apenas AB sem que seja C, ou seja, uma espécie de escolha em viver mesmo tendo motivo lógico para o suicídio.
É possível entender racionalmente os motivos para o suicídio mas daí em concordar com o mesmo é uma particularidade do sujeito, entender a subjetividade não o mesmo que concordar com ela. Depende de uma série de valores e códigos que a pessoa adquiriu no decorrer de sua vida
Por isto a dificuldade da convivência nos dias de hoje. Temos que entender as singularidades.
Entender que cada um é cada um, e todos tem seus motivos para fazer as coisas.
Antes de concordar ou discordar é preciso entender o outro e o que ele está dizendo. Entendeu?
Agora que entenderam, deixo a vocês uma perguntinha: E todo suicídio, é lógico?

25/02/2009

Aprendendo a ser feliz com Aristoteles

Será que todo mundo sabe o que quer dizer quando alguém diz “fulano de tal é uma pessoa ética”; ou “fulana tem caráter”, ou ainda “isto dai vai contra minha ética”? Agente escuta esse tipo de coisa todo dia e quase nunca para pra se perguntar o que isto quer dizer. Existe uma ciência do caráter da pessoa e essa ciência se chama Ética e para entender melhor o que seria isto vamos ao pai desta, esse grande filósofo chamado Aristóteles. Esse cara escreveu somente mais de 400 obras, pouquinha coisa não? Mas só temos acesso a 47 destas, pois o resto se perdeu durante o tempo. Destas 47, 3 são sobre a Ética. São elas: Etica á Eudemo, Ética Maior e Ética a Nicômaco. Esta última é a mais completa de todas e contém as outras duas nela. Mas primeiro vamos entender quem foi esse cara que se tornou um dos maiores filósofos já conhecidos na história da filosofia.

Bem, Aristóteles nasceu em 384a antes de J.C. na cidade de Stágyros, região da Macedônia, onde hoje é a cidade de Stavra. Seu pai era médico do rei e se chamava Nicômaco, mas não é esse Nicômaco a quem dedicou sua maior obra de Ética, este, da obra seria seu filho que viria mais tarde. Pessoal, como vemos aqui, Aristóteles não era cidadão de Atenas, ele era um estrangeiro, meteco (metoikós) e por isso ele não podia participar das escolhas politica de Atenas, a capital do mundo antigo. Somente aquele que nasceram nela, e era homem, livre, e possuía terras, ai sim era considerado Cidadão (Polités) da Polis, Cidade-Estado, e poderiam participar das assembléias. Mas professor, o que é essa Cidade-Estado? Bem, é uma cidade auto-suficiente, autárquica, como um país hoje. E quem não era dessa cidade era meteco. E somente os cidadãos dessa Polis é poderiam fazer a Politéia, ou seja, a constituição que organiza aqueles que vivem na Polis, e que depois, esta constituição se chamou república. Vocês vão ver por ai quando pesquisarem, que Aristóteles disse que o homem é um “animal político” mas o que é isso? Um animal que faz política? Não é bem isso. Quando ele diz que o homem é um animal político por natureza (physei politikon zoon) ele esta dizendo que o homem não consegue viver sozinho, não é auto-suficiente, ele precisa de amigos, precisa da Pólis, precisa da sociedade, por isso traduziríamos melhor por animal social por natureza, pois corresponde mais ao sentido original. Mas qual o objetivo de Aristóteles em formular uma ciência do caráter da pessoa, a ethiké. Aristóteles estava preocupado com os fins das coisas, que tudo tendia para um determinado fim (teleologia), este fim sempre seria um determinado Bem. Então deveria haver um fim para todas as coisas, um Bem supremo. Ele chegou a conclusão que este fim ou o Bem Maior é a felicidade,a eudaimonia. E a finalidade da vida é o fruir desta felicidade. A Felicidade provem de um agir correto, virtuoso. E o que vai garantir a felicidade do individuo é a ciência de seu modo de agir, aqui no caso a ética. E depois ele vai colocar a ciência política é a responsável em garantir a felicidade dos indivíduos da Polis. Esse agir correto, virtuoso estaria condicionado a uma sabedoria humana diferente da virtude intelectual, teorética, essa sabedoria é a Phronesis, que significa prudência, habilidade é a virtude moral e ela está ligada a sabedoria pratica (práxis) ou seja, da ação. E a outra, a virtude intelectual, a sapiência, é teorética, trabalha com as realidades acima do homem, como a metafísica que são aquilo que está além do vemos na natureza, a essência das coisas. O sábio tem quer ser virtuoso nas duas sabedorias, isto é o que ele chama de dianoética, viu gente? Estão entendendo até ai? Tem uma terceira sabedoria a poiesis que esta ligada a produção, mas esta agente vai ver no próximo bimestre, aqui interessa somente essas duas por enquanto. Enquanto a virtude intelectual teoriza, planeja a virtude moral realiza. A virtude que agente está falando aqui é a virtude do bem agir, um alto grau de perfeição, em grego é areté, mas alguns tradutores colocam excelência que traduz melhor o sentido original. Mas dá para entender quando eu digo virtude não é? Mas com se dá essa virtude moral? Se ela não é sabedoria intelectual então com pode ser? Bem ela parte do principio que é adquirida com tempo, com a ação, com um costume pelos hábitos certos e corretos. Não há como prever racionalmente a maneira correta em cada situação, ela passa pela percepção e memória de atos anteriores. Por isso Aristóteles diz que só pode ser um filósofo um homem que já viveu bastante e provavelmente passou dos 50 anos, por que ele tem experiência na bagagem e sabe agir correto, sabiamente, e os jovens não podem ser por que são motivados pelos seus impulsos, por suas paixões, não estão interessados em agir retamente. Quando Aristóteles fala da busca da felicidade por prazer ele coloca o prazer como uma felicidade momentânea e que esta pode trazer um vicio, e o vicio é um desprazer. Aristóteles diz que a virtude moral é antes de tudo uma vitória da razão sobre os instintos. Nietzsche defende uma posição contraria a essa, de que a felicidade é libertar seus instintos, agir por instintos e que a razão tolhe o homem de ser feliz. Mas, como agir de forma correta como Aristóteles está colocando? Bem, vemos que em determinadas situações o homem peca pela falta ou excesso em suas atitudes, e a causa disto é suas (hybris) paixões que tem e sentimentos que enfrenta em determinadas situações. O agir correto estaria num meio-termo entre eles, Mesotés, a mediana, uma medida correta. Esta medida não é como uma medida matemática. Depende de cada situação. Igual ao homem quando vai comer, a comida de um atleta e diferente da comida de um obeso fazendo dieta, e estas duas é muito diferente da comida de uma pessoa que tem uma vida normal. As situações também variam, há momentos em que você deve exceder um pouco mais, e há exemplos em que você deve faltar um pouco mais. No caso de uma guerra por exemplo. O soldado não pode ser totalmente covarde por que senão perde a guerra, e nem pode sair como um louco imprudente tomando a frente pois a chance de se levar um tiro e morrer é muito mais alta. Ele tem que ser corajoso para enfrentar o inimigo, mas tem que saber a hora certa de recuar e de atacar. Ë a mediana. Aristóteles coloca 10 tipos virtudes morais. Vamos observar aqui apenas cinco, só para termos um idéia melhor.

1º Coragem (andreia) falta = medroso / excesso = temerário
2º Temperânça (sofrosíne) falta=insensível/ excesso=concupiscência
3º Liberalidade (eleuteriótes) falta = avareza /excesso=prodigalidade
4º Calma (praotés) falta = pacato / excesso = irascível
5º Modéstia (aidémôón) falta = despudorado /excesso = acanhado

Aristoteles ainda dedica um capitulo inteiro sobre a virtude da justiça (dicaiosíne), para ele esta é a mais completa das virtudes. Notem que a virtude moral é uma faca de dois gumes, ou ela te traz prazer ou traz sofrimento. Sofrimento por não conseguir agir da maneira correta que lhe traria a felicidade. A virtude moral pressupõe que sua atitude seja praticada mediante uma escolha previamente deliberada. Há um pensamento antes de agir em que você reconhece os limites, relembra outros fatos, percebe a situação atual e então age. O que está ciência pretende fazer é com que o homem aprenda a ser feliz, criando um habito de ser feliz.

19/02/2009

A Filosofia Edificante de Richard Rorty

Bem amigos, na obra A Filosofia e o Espelho da Natureza, de 1979, Richard Rorty faz uma introdução aos problemas da filosofia moderna e atual abordando os problemas da filosofia da mente, a teoria do conhecimento, a epistemologia passando pela psicologia empírica, a filosofia da linguagem e a hermenêutica até chegar à filosofia sem espelhos no capitulo oitavo onde se encontra a especulação de sua tese sobre a Filosofia Edificante que hoje irei tratar aqui. Rorty começa o livro afirmando que a noção que a filosofia tem como idéia que a mente é como um grande espelho da realidade contendo varias representações sobre esta. Por que? Porque segundo ele as imagens conseguem dizer mais que as proposições, as metáforas mais do que as afirmações. E a essência do homem é a de espelhar o universo ao seu redor. Ë o que ele chama de essência especular. E estas imagens da realidade podem ser exatas ou não, são estudadas através de métodos puros, não empíricos. Pois os filósofos pensam discutindo problemas perenes e ternos cristalizando-os com os fundamentos do conhecimento. Tudo isso se deve ao séc XIX em especial a Kant, com a noção de filosofia como um tribunal da razão pura, sustentando e negando as asserções ao resto da cultura do mundo. E que depois foi mais reafirmada com Russell e Husserl, preocupados em manter a filosofia no âmbito das ciências contemporâneas. Porém quanto mais cientifica e rigorosa se tornava a filosofia tanto menos tinha haver com a cultura e mais absurda pareciam suas pretensões tradicionais. E esse fundacionalismo sofreu uma crise, fazendo com que os filósofos cheguem a pensar em até fim da filosofia. Aí é que entra Rorty com sua aposta em que a filosofia deve buscar novas formas de reflexão capazes de dar conta das grandes mudanças na sociedade e abandonando a centralidade epistemológica. A filosofia deve abandonar os “espelhos” e continuar a conversação cultural entre os conhecimentos, sem o objetivo de solucionar de vez os problemas eternos, mas sim de “aquietar” as preocupações atuais dos indivíduos na sociedade de sua época. Para isto ele afirma que os filósofos devem seguir como filósofos edificantes ao invés de sistemáticos, como foram caracterizados os filósofos da corrente principal de filosofia. Mas porque Rorty coloca o termo Edificante? Bem, porque num primeiro momento ele pensou em “bildung”, como o termo é em alemão, porém iria soar muito estrangeiro. Lembro a vocês que Rorty é americano. Logo, pensou em “educativa”, mas ai soaria prosaico demais, vulgar, e poderia dar margens a erro no pensamento. Já Edificante, como a própria definição do dicionário diz, consiste em demonstrar através de bons exemplos. Rorty vai mostrar no livro que a filosofia edificativa não pode ser jamais fundacional, pois ela deve manter em aberto a discussão, isto uma vez que em outra época, em outro contexto, seus pressupostos podem não ser validados. Portanto edificante é uma postura filosófica mais terapêutica que se dá diante dos textos e dos problemas que se propõe. Seriam estes os filósofos edificantes: Kierkgaard, Nietzsche, Goethe, John Dewey, Santanya, Wittgenstein, Heidegger, acredito ainda que Sócrates deva entrar nesta lista, assim como outros. E Rorty insiste em seu livro que todos filósofos deveriam procurar a continuar a Grande Conversação do Ocidente ao invés de ficar tentando solucionar os problemas tradicionais da filosofia moderna. Pois muitos ainda lerão Kant, Platão, Aristóteles, Wittgenstein, Heidegger e etc, e resta saber se os novos filósofos saberão continuar essas conversações dialogando com o nosso tempo, com a nossa cultura, nossa época. Em reposta ao desespero dos filósofos sistemáticos Rorty diz: A religião não chegou ao fim no Iluminismo, nem a pintura no Impressionismo, e mesmo se a filosofia do séc. XX parecer um estágio de desajeitadas vacilações, existirá algo chamado filosofia na outra ponta da transição.
OBS.: Rorty faleceu de câncer em 08 de junho de 2007.Fica aqui expresso meus sentimentos a este grande filosofo que tanto contribuiu a filosofia contemporânea com seus pressupostos, e por onde meus pensamentos tanto divagaram; Minha dissertação conclusiva de graduação bacharelado em Filosofia foi: “Wittgenstein e Heidegger no horizonte da Filosofia Edificante de Richard Rorty”.

Enquanto os tubarões comem...

Meus amigos é com imenso desprazer que deixo aqui expresso minha indignação pela péssima proposta educacional que as Secretarias do Estado de Minas Gerais veem desenvolvendo. O ensino público está piorando cada vez mais e a culpa senhores, não é dos alunos.
Bem, o nosso atual governador Sr. Aécio Neves aprovou uma lei ano passado onde os professores que estiverem em cargos designados pelo Estado seriam efetivados. Isto para demonstrar um aumento na prestações de contas do Estado. O fato é que essa Lei deveria ser caducada este ano, e nao foi. Agora os professores que foram efetivados pela Lei 100/2007 são efetivos e têm direito as vagas de designação nas escolas do estado.
O buraco maior se dá pelo fato que as aulas de Filosofia e Sociologia que segundo a Lei José de Alencar/2006 são obrigatórias nos três anos do ensino médio, estão sendo distribuídas nas Escolas para os professores efetivos.
Ou seja, em algumas escolas houve o acréscimo das disciplinas pela Lei Federal, mas ao mesmo tempo os profissionais estão lecionando com título precário, chamado CAT (Autorização Precária para Lecionar). E infelizmente com essa autorização há uma banalização onde todos aqueles que cursaram curso superior e obtém 120 horas no currículo sobre essas duas disciplinas(Filosofia e Sociologia) podem lecionar estes conteúdos. E nós profissionais da área, professores habilitados em Filosofia e Sociologia, estamos desvinculados das escolas, principalmente porque o Governo do Estado quer diminuir o custo com professores, e isso acarreta ao mesmo tempo uma qualidade educacional precária. E agora, como se não bastasse, os professores efetivos podem lecionar até três disciplinas diferentes na mesma escola, se houver vaga e se o professor tiver a autorização para lecionar estas disciplinas (olha o CAT aí de novo). Bastando apenas o professor efetivo levar seu histórico comprovando que teve pelo menos 120horas de filosofia ou sociologia no currículo, o que equivale exatamente a duas disciplinas nesse conteúdo em qualquer curso de gradução, e retirar o seu CAT para lecionar as matérias que “aumentaram” na escola. E nós, professores habilitados, só nos resta mesmo esperar. Temos que esperar que as vagas sejam preenchidas por professores NÃO HABILITADOS, e ficar olhando, para então após a festeja ignorante de acúmulos cargos, comer os restos que os tubarões deixam cair.

O computador poderá pensar sozinho?

Isso mesmo meus amigos, o futuro está cada vez mais perto. E novos computadores mais eficazes são produzidos a cada dia. Até onde chegaremos com essa evolução? Chegaremos em um ponto em que nossos computadores possuirão cerebros atalmente inteligentes capazes de raciocinar por si proprios? Esta é a grande duvida atual na area da Filosofia da mente.

O autor mais polemico e mais defendido é Jhon Searle. Em seu livro “O mistério da consciência” ele analisa as posições emergentes dos filósofos da mente demonstrando através de argumentos e refutações a sua posição frente aos problemas da consciência. Dentro de a divisão de analistas podemos identificar Searle mais como um dualista de propriedade, ou seja, os dualistas de propriedade separam a mente e corpo por certos estados e propriedades diferentes, estaríamos tratando da mesma substância em ambos os casos, porém ela apresenta estados diferentes. Searle acredita fielmente que o cérebro produz a consciência, ele não sabe realmente como isto acontece, mas sabe que através dos impulsos elétricos que os neurônios recebem e suas respostas aos estímulos produzem os estados mentais que geram também a consciência. Desse modo podemos dizer que para Searle a consciência ainda é um problema biológico, a mente e o corpo partilham da mesma substância, por isso Searle acredita que nunca um computador pode vir a ter consciência, por ser de uma substância diferente da nossa, não-orgânica. Como no famoso paradoxo do Quarto Chinês. Nesse caso, a posição de Searle é de que o computador nunca possuirá o conteúdo semântico dos objetos Chineses, e conseqüentemente sua significação. Pois o que é apresentado para ele é apenas uma forma, uma sintaxe sobre um problema a ser resolvido, um problema que através de um manual, ou um conjunto de regras para solucinação do problema o programa resolve associando símbolos que ao mesmo tempo desconhece, sem conteúdo semântico. Dessa forma a I. A. forte não poderá ser validada totalmente uma vez que a mente humana possui semântica e sintaxe. Para Searle, a mente humana vai além do simples programa de computador. Apesar dele aceitar que existem certas maquinas que conseguem pensar, assim como a mente humana também pode computar (2+2=4). Este exemplo gerou muita discussão pois todos começaram a refutar Searle por entender que ele não acreditava que a maquina pudesse pensar, mas o que ele tentou propor com esse simples argumento foi de demonstrar que a I. A. Forte não pode ser encarada como real, pois a mente não é um simples programa de computador, ela vai além deste, apesar de realizar certas tarefas parecidas como tal. E o computador não pode ser igualado a mente, uma vez que este não garante presença de conteúdo semântico.
Lembro aqui a vocês que foi lançado no ano passado um videogame de ultima geração em que seus circuitos funcionam exatamente como os neuronios de um cerebro humano(Meu Deus, aonde eles querem chegar?). Agora, façam suas apostas.

Matrix e a Metafísica

A metafísica do cotidiano

A trilogia Matrix, agora completa com Revolutions, gira em torno do tema da negação do que é percebido imediatamente em função de uma certeza sobre algo que, embora não percebido, é tomado como verdadeiro — motivo pelo qual se deve lutar por ele, mesmo que isso custe muito sofrimento e obstinação. Em termos filosóficos, isso mostra que a relação entre o percebido e o pensado tem dupla natureza: cognitiva (de conhecimento) e prática (de ação, de vida).

No primeiro caso, o mundo da percepção, que obtemos através de nossos cinco sentidos e também internamente em nosso corpo, é tomado como sujeito a falhas, ilusões, equívocos de toda ordem, ao passo que podemos conceber mentalmente que, para além das aparências enga nosas, há uma verdade mais substancial das coisas, embora ela resida apenas no pensamento. Esse esquema está presente em quase toda a
história da filosofia e também das ciências modernas.

A primeira idéia filosófica que se tem notícia é a de Tales de Mileto: “tudo é a água”, que significa que, embora
aparentemente as coisas tenham formas, consistências, cores e outras propriedades bastante distintas, em sua essência todas elas possuem água como uma espécie de fundamento alcançável, não pelos sentidos, mas pela razão. Embora essa idéia, em termos de seu conteúdo, tenha se alterado totalmente, sua estrutura continua bastante atual. Hoje em dia, todas as teorias sobre a constituição atômica da matéria e sobre a origem do universo fazem apelo a seres, forças e eventos que estão às vezes muito além do que podemos ver.

No segundo caso, da relação prática, o que se pensa é tomado como muito mais valioso, necessário, importante, do que as coisas que são vistas e percebidas em geral. Nesse caso, aquilo que se pensa como a verdade sobre o mundo demanda de nós um esforço para sua efetivação, coloca-nos motivações de vida que, ao mesmo tempo, estipulam valores para nossa própria pessoa, de acordo com o modo como nos posicionamos perante isso que é tomado como verdadeiro. Essa estrutura de pensamento é própria da religião, que se apóia fundamentalmente na fé, que é a crença em alguma coisa da qual não temos provas, mas para a qual nos sentimos motivados de modo
suficientemente forte. mbora não tenha conteúdo religioso ne m doutrinário, a filosofia de Platão conjuga os aspectos cognitivo e prático, formando aquilo que se convencionou chamar “metafísica”. Essa palavra, nascida de um equívoco histórico de denominar assim aquela doutrina aristotélica contida nos livros que viriam depois (meta-) dos da Física, passou a designar aquele tipo de pensamento que postula uma essência apenas pensável como raiz e substância última do que é visto como contingente, variável e efêmero.
No caso de Platão, semelhante às metafísicas medievais, esse princípio de constituição das coisas relaciona-se ao mundo dos valores morais: trata-se, para o filósofo grego, da idéia do Bem, que, apesar de não estipular ações e deveres específicos, faz com que todo o real seja entendido através do vínculo com aquilo que se considera mais elevado, digno, nobre, eticamente valioso. Quanto mais próximo desse bem absoluto, mais realidade tem a coisa.


A minha idéia interpretativa é a de que a trilogia dos irmãos Wachovski faz uma elaboração narrativa a partir de uma percepção metafísica da realidade, deslizando progressivamente do plano cognitivo para o prático. Não se trata de uma apropriação do conteúdo da metafísica platônica ou de outra qualquer, mas de um jogo de idéias, às vezes mais coerente, às vezes nem tanto, que estimulam a curiosidade do espectador sobre os paradoxos da metafísica. Nesse sentido, o primeiro filme possuía uma âncora bem clara para a constituição do enredo, que era o enigma sumamente inquietante de que a realidade percebida era, na verdade, produzida através de computador por outros seres.

Esse mote pôde ser aproveitado em diversas circunstâncias, como por exemplo nas várias passagens de um nível de realidade a outro (do real ao virtual), em que o espectador se compraz nesta relação dualística de aparência e realidade de modo bastante claro e direto. Entretanto, não se pense que esse aspecto cognitivo de contraste entre o verdadeiro e o falso não contenha, desde o início, elementos de ordem prática, motivacional. Ao contrário do que disse Morpheus a Neo quando lhe apresentou as pílulas vermelha e azul:

“Lembre-se: a única coisa que eu lhe ofereço é a verdade”

A partir do momento em que travou contato com essa idéia, toda a existência de Thomas Anderson passou a ser guiada integralmente pelo desejo (necessidade) de libertar todos aqueles que viviam trancafiados na rede de ilusões tramada por seres poderosos, sempre vistos como representantes do Mal, curiosamente tão absoluto
quanto o Bem platônico. Mas já nos rituais de transporte dos personagens ao mundo virtual existe um componente de ordem prática, ligado ao papel do corpo nessa relação entre o verdadeiro e o falso.
O aguilhão inserido na parte de trás da cabeça dos personagens, enfatizando claramente a violência corporal, mostra, por assim dizer, o que essa visão metafísica considera o preço a ser pago na conquista do que é tomado
como real: o sofrimento agudo, penúria, abnegação.

Em Matrix Reloaded, os diretores, não vendo mais um meio de explorar o teor cognitivo da idéia-base do primeiro filme, colocaram todo o peso da narrativa na urgência de evitar a invasão da cidade dos rebeldes pelos dispositivos do mal. Sendo bastante inferior em termos de argumento composicional, bem próximo de episódios de seriados de TV, como Jornada nas estrelas, em que uma tripulação “do bem” é incessantemente contraposta a civilizações malignas, ou até mesmo com seu clichê de um conselho deliberativo que coloca em xeque as resoluções do capitão e de outros comandantes da nave, a identidade de Neo como messias congregou todo o argumento metafísico, fazendo com que o sentido do segundo filme fosse determinado pela dúvida em relação ao papel que esse personagem desempenhava na tarefa de salvar toda a população de Zion. De um lado, Morpheus, Trinity e seus amigos, e de outro, vários incrédulos, representantes de um realismo obstinado e impotente, como se a divisão entre os bons e os maus — ou seja, habitantes de Zion/agentes da Matrix— se repetisse, em escala menos drástica, no interior do próprio grupo dos bons. Embora todos os textos que li tenham expressado a insatisfação com as várias cenas de pancadaria e de perseguição, principalmente no segundo filme, em que acontecem com mais freqüência, é preciso ver que elas são parte dessa perspectiva motivacional em relação ao objetivo supremo que se quer alcançar. Esse elemento da linguagem cinematográfica não é ruim apenas por sua própria configuração, mas também porque quer fornecer de modo claro ao espectador uma via de identificação com o mundo ficcional. Da mesma forma que cada personagem tem que lutar de modo incessante e obstinado contra as forças malignas, motivado por uma idéia que estipula uma verdade situada muito além de sua visão atual, somos levados a ver nisso uma metáfora para a condição humana: embora o cotidiano seja permeado de contratempos, desilusões e sofrimentos de toda ordem, aquela perspectiva metafísica quer nos fazer pensar que existe uma verdade cujo teor é suficientemente forte para conferir um sentido à vida, apesar de todos os revezes sofridos. Outro elemento ideológico da trilogia, associado a essa linha temática, é o afunilamento reiterado do sentido da narrativa na vida do personagem principal. Das várias vezes em que ele ocorre, a famosa cena da luta de Neo conta as dezenas de agentes Smith é a mais emblemática (além da que ocorre no final de Revolutions).

O Escolhido, o Predestinado, “The One”, aquele cujo sentido de vida consiste em salvar a todos os inocentes da desgraça absoluta, luta sozinho contra uma multiplicação hiperbólica das forças do mal.

O fato de que se trata do mesmo agente, mas aos montes, parece nos vender a seguinte idéia: apesar de os males no mundo serem infinitamente variáveis, todos proviriam de uma única fonte, como, aliás, é o que será apresentado no terceiro episódio, em que se pode ver a cidade das máquinas, geradora ininterrupta dos sentinelas. Essa identificação do espectador com o filme não é feita apenas em termos abstratos de uma luta contra os poderes do mal, mas também através da identificação que fazemos entre um mundo produzido por computador e nossa realidade, que se torna cada vez mais abstrata, manipulada por números em contas bancárias e em cartões de crédito, regida pelo peso das marcas e das grifes ao escolhemos os produtos, e uma série de outros elementos que fazem com que a realidade seja cada vez mais vivida a partir de seus signos, de seus representantes na cultura de massa. A partir desse processo de identificação, que aliás possui outras facetas de que não tratamos, a trilogia Matrix elabora metaforicamente uma metafísica do cotidiano.
E tal como dissemos antes, a dimensão prática dessa perspectiva ganha cada vez mais ênfase, e no terceiro episódio, Revolutions, que sem dúvida é o que possui menos valor estético, toda a trama narrativa tem um só sentido: contrastar a total desesperança da luta contra o mal que se apóie em um realismo obstinado e francamente impotente, de um lado, e por outro a crença em uma verdade difícil de aceitar, ou seja, que Neo é quem salvará a todos por ser predestinado. Isso é visto claramente na quantidade absurda de sentinelas que invadem a cidade de Zion, cuja disparidade com as forças dos rebeldes faz com que o espectador seja acuado até a perda de fôlego, inevitavelmente chegando a pensar:

“É, dessa vez não tem mais jeito... não há mais
como continuar lutando. É preferível desistir”.

Essa atmosfera derrotista prevalece o tempo todo no filme, sendo resolvida através de outra metáfora somente no final, que deixo ao leitor a tarefa de interpretar.

*Publicado em 22/11/2003, no Jornal Estado de Minas, Caderno Pensar, p.5. pelo Prof. Verlaine Freitas.

Afinal, quem corrompeu quem?

Amigos, todos nós conhecemos a famigerada frase de Rousseau tirada do seu livro "O Contrato Social" e que virou um belo de um jargão para a sociedade moderna:

“O homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe.”

Porém, filosofando mais propriamente nesta frase, a sociedade que é feita por união de homens, tem em sua essência natural o homem, certo? Mas se ela é feita por união dos homens como ela pode corrompe-los se a sua natureza é a mesma de todos, é boa?

Onde está o mal então?

Como o homem bom foi corrompido pelo seu semelhante?

Quem foi o primeiro a corromper os homens?

E então, vamos filosofar?

Um grande abraço a todos.

O médico de Sócrates

A Filosofia teve seu inicio bem dizer com Sócrates trazendo para o campo do homem, da moral, da razão.
Sócrates influenciou toda a Europa e todo o Ocidente com sua Filosofia. E no texto de Nietzsche “O problema de Sócrates”, ele observa que Sócrates sempre esteve enfermo. O médico era a morte. O problema de Sócrates foi que ele queria explicar tudo com a razão, e que razão mais virtude era igual à felicidade. O problema da enfermidade de Sócrates se tornou o Problema do Ocidente. Foi o pensador Friedrich Nietzsche que, de uma forma magistral, viu que, desde Sócrates , a cultura ocidental se tornou logocêntrica. E desde então, tudo e todos para que sejam como são, devem aparecer medidos ou sob a custódia disso que é a razão. Desde o momento em que tudo que é, para ser, precisou passar pelo crivo ou pelo tribunal da razão, a máxima de Hegel – todo real é racional – passou a valer como credo ou dogma indiscutível na história do ocidente; Após a gênese desta forma de instauração da relação homem – real, lembrando Nietzsche, não somente o real passou a ser aquilo que diz a razão, como a razão passou a corrigir, isto é, modificar e aperfeiçoar o real, se ele não corresponde ao que deve ser. Sócrates, muito louvado, comparado a Cristo e a Tiradentes nos dias de hoje, foi o grande responsável pelo modo como vivemos e pensamos. Se antes ele estava enfermo e a morte foi seu médico, o que dizer da sociedade no mundo Ocidental de hoje?

26/04/2007

"Assombração só aparece pra quem acredita"

Despois de assistir o Filme, "What the bleep do we know?" traduzido no Brasil por "Quem somos nós?" tive uma enorme curiosida em pesquisar mais sobre a Fisica Quântica.
Bem, para a Física Quântica a pergunta sobre o homem e o Universo se baseia primeiramente em uma questão de possibilidades. Pois sobre o olhar da Física Quântica nós não somos mais partículas e átomos, ou seja, substancia sólida apenas, como pensavam anteriormente na Física clássica, mas sim também e altamente relevante composto de massa vazia onde esta pode definir e escolher dentre as varias possibilidades para com o mundo externo nos oferece apartir daquilo que ocorre na nossa consciência, no nosso “observador” interior que experimenta o fenômenos.
Ao contrario da Física Clássica e os modelos Newtonianos, a Física Quântica demonstra que o Universo não é o lugar do determinismo, e coisas objetivas, mas sim da incerteza de possibilidades, pois as informações que conseguimos captar de nosso cérebro ainda é muito pequena sobre a imensidão do mundo que nos rodeia. E com o avanço da neurociência vimos que todo o nosso comportamento está baseado em substancias químicas que agem em determinadas partes localizadas no cérebro, e que estas reações químicas estabelecem por fim as nossas respostas as mais variadas situações no mundo externo. E que, de acordo com o Filme “Quem somos nós?” (What the bleep do we know?) nós podemos mudar a possibilidade de um acontecimento, mesmo que para nosso intelecto seja uma coisa impossível, para algo positivo, mostrando que o impossível pode ser possível apartir de uma crença real sobre o mundo incrível que está diante de nós, mas que não conseguimos ver. O fato para tal é que o homem já é negativista por natureza sobre sua vida e tende sempre a re-criar os padrões de realidade de forma como foi acostumado a acreditar, conformado que não tem poder nenhum sobre a situação presente. Desse modo, sob a ótica da Física Quântica, o Ser-Humano é um Ser de possibilidades, é um peixe imerso num vasto oceano, e este oceano nada mais é que o desconhecido. Será que sabemos agora então o porque que da famigerada frase dita por incautos medrosos "Assombração só aparece pra quem acredita" ? Un...
Não sei. Mas depois de assitir esse filme e pegar as explicações sobre a Fisica Quântica, temos muita coisa para pensar.
Um abraço a todos.

24/04/2007

Você tem Orkut?

É amigos, hoje percebemos o quanto à vida de muitos têm mudado com esse avanço estrondoso da internet No entanto, para muitos estas mudanças têm sido para pior.
Dentre todos os benefícios privados tragos pela internet, quero me caber aqui a um especial:O Orkut.

Bem, o Orkut tem sido uma boa ferramenta, diria até indispensável para aqueles que sobrevivem e/ou vivem de propagandas. Seja de boates, eventos, bares, bandas musicais, lojas e/ou até mesmo outros sites.
O fato é que a veiculação da informação é bem mais rápida, instantânea.
Há um tempo atrás, a propaganda via internet era feita somente por e-mail. As empresas tinham apenas um "nick” da pessoa que estavam enviando um e-mail, e nada mais.
Hoje você vê a pessoa, e tem tudo sobre ela.
Para aqueles que gostam de "tomar conta" da vida dos outros é um prato cheio, de mão beijada.
Prato cheio também para aqueles que só querem o "status quo", aumentar o seu número de amigos "ADD", ou seja, apenas se autopromoverem.
Enfim, o fato é que quero me ater é que o Orkut tem se tornado uma espécie de segundo mundo, um mundo virtual que imita a realidade e todos têm direito a uma (ou mais) identidades e podem até se realizar dentro dele.
Já outros podem até destruir inimigos, ridicularizar-los em prol de sua própria realização.
Sendo assim, por este lado o problema maior será quando o "mundo orkutiano" se tonar tão real quanto à vida real e o usuário passará a viver mais neste mundo ilusório do que deveria.
Digo isto pelo que vejo as pessoas comentando sobre o tempo diário que elas gastam para entrar quase que obrigatoriamente no site.

Bem, claro que as pessoas que passam a "viver" dentro do Orkut são pessoas mais fracas quanto a personalidade e não conseguem enxergar que o Orkut nada mais é que uma loja de Ilusão, onde você compra falsas amizades, relações com fundo hipócritas e até "affairs" com segundas intenções. E para com as amizades verdadeiras, estas estariam correndo risco a todo instante de serem destruídas por algum louco devido a sua inveja, provocada sempre na maior parte por espiões infortúnios que só querem se promover a todo custo.
E para isto meu caro, não há remédio, senão a própria re-educação do uso, ou então a exclusão do participante no site.
Bem, se você, amigo leitor, não se enquadrar em nenhum dos tipos acima, pode entrar no meu perfil do Orkut, escrever algo sobre você ou algo real que possa nos "linkar".
Mas, se você for um daqueles infortunados, pensemos o seguinte:
Assim como na vida real, com suas ruas e avenidas lotadas de pessoas passando para lá e para cá, as vezes acontecem "trombadas" sem querer e, me perdoe se acaso esbarramos sem querer neste seu segundo mundo tão virtual quanto realidade oferece ser.
Bem, até mais pessoal, e...
Lembrete do dia: Muito cuidado ao add pessoas desconhecidas

Quem é esse tal de Big Brother?

Bem, ultimamente tenho me pegado assistindo aquele famoso programa de televisão onde as pessoas ficam trancadas em casa travando uma competição e o vencedor será aquele que for o mais querido para os telespectadores. Este felizardo levará para casa a singela bagatela de um milhão de reais. Isto meus amigos, estamos falando do famigerado Big Brother Brasil.
O fato maior é que o dinheiro que é lucrado pela emissora nas ligações em noites de eliminação, ou melhor, 'paredão" eles chegam a faturar absurdos, claro que em conjunto com a empresa telefônica. Bem, eu não me despertaria nenhum pouco para ver tal tipo de programa, porém a popularidade deste chega ao extremo, vejo que todos parecem estar assistindo uma novela, a melhor novela de todos os tempos, e não podem perdem um capitulo se quer. Volta e meia na casa de minha namorada agente assiste, interage com as votações e por fim acabamos torcendo por aqueles protagonistas que se afirmam serem “os do bem”.
É, no fim todos acabam se rendendo ao "fenômeno".

Mas que jogo é esse onde se tem o bem e mal em um pequeno grupo de pessoas?
Uns querendo levar vantagem sobre os outros, e acaba que no fim não sabemos nem o por que levamos a acreditar que uns são "do bem" e outros "do mal", sendo que todos têm a mesma intenção dentro da casa: Faturar o pomposo prêmio de um milhão de dinheiros.
Seja de forma humilde, seja com arrogância, seja fingindo ser bom ou maquinando planos milaborantes. É preciso ter muito carisma, ou inteligência para continuar nesse jogo. O vencedor deve ser uma combinação dessas das duas qualidades. Agora aqueles que não têm nenhuma dessas qualidades mostra o que tem de melhor, ou não tem.
Estes serão como ovelhas para o pasto.
Ainda tem o apresentador que sempre aparece na hora marcada da noite.Uma figura masculina, quase paternal e que dentre estas aparições, uma vez por semana, obriga a todos a fazerem uma espécie de ritual. Entrar numa salinha chamada de "confessionário" e contar a essa figura masculina e paternal a quem deverá ser punido, o julgamento final. Nesse "paredão" uma sentença ou depoimento é lida aos Brothers "pecadores" sempre antes do término do programa e após é dada a decisão do júri, popular. Claro!
Isto acaba por me lembrar outra coisa. A igreja, com seu grande poder de instituição social e com o poder Papal do seu clero, uma figura masculina, paternal que decide sobre aqueles que seguem os ensinamentos corretos da Bíblia. O olhar recriminante e onisciente da igreja frente aos pecadores mundanos e as 48 câmeras de TV espalhadas pela casa.

Seria então os "Brothers" os "Irmãos" de Fé?

Claro que como toda história feliz tem um final feliz.
E por mais que tudo seja uma farsa, ou imitação do modelo arquétipo de nossas vidas, a população brasileira ainda continuará a assistir ao fenômeno Big Brother Brasil e continuaram a dar seus milhões em votos para a emissora Globo TV que conseguiu com sua novela “quase” real da vida alheia transformar-se em fenômeno do entretenimento nacional.
Sorte para aqueles que saírem da casa com uma boa quantia de dinheiro e prêmios, ou pelo menos fama e reconhecimento de algum talento reconhecido, azar para aqueles que não ganharam nada, foram mal interpretados, ou “julgados” e ainda por cima viveram sobre maldição do fantasma do Big Brother: - Ei, eu te conheço de algum lugar?
Bom, no mais é isso.
E a vida inteligente continua, fora da casa.
E o povo?
Bem, estes continuaram a votar, votar, votar...
E sendo assim...
Boa sorte Alemão!
Até mais pessoal.

Para uma nova Hermenêutica da Caverna de Platão

Parece que para a insatisfação dos professores de filosofia a Caverna de Platão recebeu uma nova interpretação, porém mais contextualiazada. Através de pesquisadores da UFMG na Alegoria da Caverna de Platão o sentido da metafóra tem mais a ver com o fato do orfismo, berço do espiritismo. O "sair da caverna" é sair do corpo, desencarnar. Ver o mundo que não se consegue ver é ver o mundo espiritual. A luz que cega vinda da fogueira e que está na porta da caverna é a misteriosda luz que se vê entre a passagem desse mundo para o outro. E não conseguir comunicar o mundo existente lá fora para os homens de dentro da caverna é o mito da reminiscência, ou seja, o homem ao voltar para seu corpo ele esquece tudo. Portanto nessa Hermenêutica a Caverna nada mais é que o corpo-humano. Platão recebeu fortissima influêcia dos Pitágoricos e herdou como consequência o Orfismo que acredita na reencarnação e na vida pos-mortem. E toda aquela antiga interpretação de se atingir a sabedoria suprema o Nous era só uma intrpretação pessoal que os filosofos queriam escutar. Platão talvez quizesse comunicar suas experiêcias no mundo espiritual e porém não podia falar abertamente pelo medo de morrer como corrompidor da juventude como Sócrates. Então como belo escritor usou de seus recursos literários para se falar da experiência. Assim como no Brasil na Ditadura e os Tropicalistas. Será então que Platão viajou fora de seu corpo? Será que Platão tinha conciência da vida espiritual, do mundo das almas?
Será?

Existo, sinto, logo, penso.

A exaltação cartesiana na razão construiu as bases para o pensamento moderno, e foi no dualismo mente corpo que o abismo se tornou maior, pois a mente, ou seja, o pensar foi concebido como uma atividade fora do corpo. Desse modo será que para pensar e tomar decisões corretas diante de problemas éticos e estéticos seria preciso manter a cabeça fria e afastar todos os sentimentos e emoções? Penso que não. Nesse sentido deveríamos ir ao contrário do pensamento cartesiano e afirmar: ”Existo, sinto logo penso”. Vejamos esta situação melhor, a razão como capacidade humana de pensar seria a responsável pelo pensar o certo e/ou o errado? Percebemos que após o segundo Wittgenstein que a faculdade da razão na verdade é uma espécie de convenção de associação de idéias realizadas na memória humana. Sabemos também que a memória é adquirida só após ter se passado pela experiência, pois esta é que lhe dará a lembrança de algo. Estamos falando aqui de todo e qualquer tipo de lembranças, pois sabemos hoje que o próprio DNA contém lembrança e esta depois vai acarretar no diz respeito ao conhecimento a priori. Mas no atenhamo-nos ao assunto agora. Após passar pela experiência o indivíduo reconhecerá o certo e/ou o errado na próxima situação. Tenhamos que afirmar assim como o grandioso Aristóteles em Ética a Nicômaco que a virtude, ou melhor, decisão pelo certo ou errado se dá através da percepção e não pela razão. Segundo ele você deve observar a situação, agir sentindo o que certo ou errado e depois deliberar sobre o acontecimento. Então antes da razão a decisão passa pelos sentidos, devemos sentir. Ação contraria a frieza intelectual dos racionalistas. Meus caros colegas, o fato que estamos falando aqui é : Pensar é unir os sentidos e interpretar os sentimentos. Analisemos os grandes gênios e suas aptidões para o que é belo, para as artes, musica ou seja, para o lado emocional, veremos que todos tinham fortes inclinações emocionais. Portanto a razão não é mais tão pura como pensávamos, agora amigos vocês sabem que não devem ser tão frios e racionais perante a vida, e que filosofar e saber olhar com os olhos do coração também.
Um abraço a todos, e em especial a Jorge Rosa por ter me adicionado em seu site “Caderno de Filosofia”. Obrigado pelos elogios, sua pagina também é maravilhosa, imperdível para os estudantes de Filosofia.
Até a próxima amigos!